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sexta-feira, 30 de abril de 2010

EU PRESENTE

EU PRESENTE


Parti, quantas saudades. Ainda lembro e sinto o seu rosto cansado das noites mal dormidas e dos dias inacabáveis.
E aquele colo que me envolvia aquecendo-me e transmitindo amor, lia os meus olhos, sabia o que eu sentia e o que eu queria dizer-lhe e não podia.
Não penses que sofri, tudo o que era possível a mim era dado em abundância.
Precisava partir, mas tinha que ter a certeza que entenderia. De repente uma solução: à distância. Pena foi que por isso quantas lágrimas rolaram destes teus olhos lindos.
Como uma viagem sem regresso que eu já sabia, parti para a cidade grande com a vovó mãe de minha mãe, tudo dava no mesmo porque eu também conhecia seu coração. Foi triste fazê-la sofrer vovó, mas não tinha outro jeito.
Os dias passavam e como poderia vê-la de novo mamãe? . Quando numa bela manhã de sol ardente entra no meu leito o que mais os meus olhos queria contemplar. Pensa que não te vi. Eu podia até sentir o palpitar do seu coração.
Quatro dias se passaram e tive a certeza que poderia partir para a vida eterna, lembra-te daquela linda entrega sentada ao meu lado cantando e sussurrando doces palavras.
De repente uma súplica “Senhor não tenho o direito de pedir-lhe a vida, mas também não gostaria que o tirasse de mim. Passo às tuas mãos esta decisão”.
E num único suspiro naquela mesma noite parti tranqüilo para vida eterna.

Autora: Solange Netto Andrade
14/04/86

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